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O Poder Do Agora



Em um mundo onde as pessoas se revezam entre pensar no passado e fazer planos para o futuro, o agora não se manifesta. Permanece desperdiçado, ignorado, mantendo distantes as verdadeiras possibilidades de realização. Esse deslocamento descontrolado no tempo coloca a mente fora de ação e distancia o homem do sentimento de felicidade. Para ser conscientemente ativo e desfrutar da vida com qualidade, só mesmo estando integralmente atento e presente no agora.


Eckart Tolle fala muito bem disso. Quando decidiu escrever O Poder Do Agora, ele já se encontrava num estágio bem avançado de presença. Já havia passado por muitas experiências e vivências que o levaram a conhecer mais da essência de toda manifestação. Estava inteirado do universo de conceitos que fundamenta caminhos como o cristão, o budista, o hinduísta, o taoísta e outros da senda espiritual.


Depois de se dedicar unicamente ao seu desenvolvimento interior, através do entendimento, integração e aprofundamento da transformação, Eckart aprendeu que certos pensamentos e emoções impedem de vivenciar com plenitude a paz e a alegria que estão dentro de nós mesmos. Sua vida tem sido desde então uma colaboração no grande esforço de ensinar a humanidade a tomar consciência disso tudo.


“A mente, para garantir que permanece no poder, procura constantemente encobrir o momento presente com o passado e o futuro e, assim, ao mesmo tempo que a vitalidade e o infinito potencial criativo do Ser, que é inseparável do Agora, começam a ficar encobertos pelo tempo, também a sua verdadeira natureza começa a ficar encoberta pela mente.”


O Poder do Agora lança uma luz sobre os processos mentais automáticos, informando detalhadamente ao leitor como reverter esse quadro, bastando observar com dedicação o comportamento indisciplinado e inquieto da mente. E alerta como a resistência gerada por ela, apegada a seus padrões, bloqueia a ação da cura e prejudica a saúde do homem.


“O que poderia ser mais insensato do que criar uma resistência interior a alguma coisa que já é? O que poderia ser mais insensato do que se opor à própria vida, que é agora e sempre agora? Renda-se ao que é. Diga “sim” para a vida e veja como, de repente, a vida começa a trabalhar mais a seu favor em vez de contra você.”


Em o Poder Do Agora, Eckhart Tolle aborda com clareza a questão do presente.


A estreita ligação entre o eu sou e o eu estou, entre o agora e o aqui. O presente enquanto única realidade, em movimento de constante impermanência. Para isso, o autor se aprofunda na verdadeira identidade do “quem sou” e esclarece que o ego não é o verdadeiro você.


“O ego precisa de alimento e proteção o tempo todo. Tem necessidade de se identificar com coisas externas, como propriedades, status social, trabalho, educação, aparência física, habilidades especiais, relacionamentos, história pessoal e familiar, ideais políticos e crenças religiosas. Só que nada disso é você. Levou um susto? Ou sentiu um enorme alívio?”


E complementa. “Mais cedo ou mais tarde, você vai ter que abrir mão de todas essas coisas. Pode ser difícil de acreditar, e eu não estou aqui pedindo a você que acredite que a sua identidade não está em nenhuma dessas coisas. Você vai conhecer por si mesmo a verdade, lá no fim, quando sentir a morte de aproximar. Morte significa despojar-se de tudo que não é você. O segredo da vida é “morrer antes que você morra” – e descobrir que não existe morte.”


Falar do agora não é tão simples como parece. Por isso, Eckhart precisa passar por uma imensidade de temas, e mostrar a unidade que está interligando todos eles. O futuro e o passado para falar do presente, o observador e o pensador para falar da consciência, a vida e a morte para falar da realidade.


“A liberdade começa quando percebemos que não somos a entidade dominadora, o pensador. Saber disso nos permite observar a entidade. No momento em que começamos a observar o pensador, ativamos um nível mais alto de consciência. Começamos a perceber, então, que existe uma vasta área de inteligência além do pensamento, e que este é apenas um aspecto diminuto da inteligência.”O Poder do Agora nos ensina que as coisas realmente importantes, como o amor, a paz, a beleza, a alegria, a criatividade, surgem de um ponto além da mente. E que tomar consciência disso é o princípio do despertar. O livro é um guia honesto e competente para a descoberta do nosso potencial interior.


Para quem quer mudar de vida, deixar velhos hábitos pra trás, ele afirma: qualquer decisão de mudança deve começar neste exato momento. Um ensinamento que ressalta e enfatiza a importância do aqui e agora como única realidade onde e quando tudo acontece. O Poder do Agora é leitura transformadora. 


Um trecho de O Poder do Agora

Por mais de trinta anos um mendigo ficou sentado no mesmo lugar, debaixo de uma marquise. Até que um dia, uma conversa com um estranho mudou sua vida:


– Tem um trocadinho aí pra mim, moço? – murmurou, estendendo mecanicamente seu velho boné.


– Não, não tenho – disse o estranho. – O que tem nesse baú debaixo de você?


– Nada, isso aqui é só uma caixa velha. Já nem sei há quanto tempo sento em cima dela.


– Nunca olhou o que tem dentro? – perguntou o estranho.


– Não – respondeu. – Para quê? Não tem nada aqui, não!


– Dá uma olhada dentro – insistiu o estranho, antes de ir embora.


O mendigo resolveu abrir a caixa. Teve que fazer força para levantar a tampa e mal conseguiu acreditar ao ver que o velho caixote estava cheio de ouro.


Eu sou o estranho sem nada para dar, que está lhe dizendo para olhar para dentro. Não de uma caixa, mas sim de você mesmo. Imagino que você esteja pensando indignado: "Mas eu não sou um mendigo!"


Infelizmente, todos que ainda não encontraram a verdadeira riqueza – a radiante alegria do Ser e uma paz inabalável – são mendigos, mesmo que possuam bens e riqueza material. Buscam, do lado de fora, migalhas de prazer, a provação, segurança ou amor, embora tenham um tesouro guardado dentro de si, que não só contém tudo isso, como é infinitamente maior do que qualquer coisa oferecida pelo mundo.



Título: O Poder do Agora
Autor: Eckhart Tolle
Editora: Sextante

Você sabe ou você sente?


Você sabe ou você sente?



Você já reparou o quanto as pessoas falam dos outros? Falam de tudo. Da moral, do comportamento, dos sentimentos, das reações, dos medos, das imperfeições, dos erros, das criancices, ranzinzices, chatices, mesmices, grandezas, feitos, espantos. Sobretudo falam do comportamento.

E falam porque supõem saber. Mas não sabem. Porque jamais foram capazes de sentir como o outro sente. Se sentissem não falariam.

Só pode falar da dor de perder um filho, um pai que já perdeu, ou a mãe já ferida por tal amputação de vida. Dou esse exemplo extremo porque ele ilustra melhor.

As pessoas falam da reação das outras e do comportamento delas quase sempre sem jamais terem sentido o que elas sentiram.

Mas sentir o que o outro sente não significa sentir por ele. Isso é masoquismo. Significa perceber o que ele sente e ser suficientemente forte para ajudá-lo exatamente pela capacidade de não se contaminar com o que o machucou.

Se nos deixarmos contaminar (fecundar?) pelo sentimento que o outro está sentindo, como teremos forças para ajudá-lo? Só quem já foi capaz de sentir os muitos sentimentos do mundo é capaz de saber algo sobre as outras pessoas e aceitá-las, com tolerância.

Sentir os muitos sentimentos do mundo não é ser uma caixa de sofrimentos. Isso é ser infeliz.

Sentir os muitos sentimentos do mundo é abrir-se a qualquer forma de sentimento. É analisá-los interiormente, deixar todos os sentimentos de que somos dotados fluir sem barreiras, sem medos, os maus, os bons, os pérfidos, os sórdidos, os baixos, os elevados, os mais puros, os melhores, os santos.

Só quem deixou fluir sem barreiras, medos e defesas todos os próprios sentimentos, pode sabê-los, de senti-los no próximo.

Espere florescer a árvore do próprio sentimento. Vivendo, aceitando as podas da realidade e se possível fecundando.

A verdade é que só sabemos o que já sentimos. Podemos intuir, perceber, atinar; podemos até, conhecer. Mas saber, jamais!

Só se sabe aquilo que já se sentiu.
(Artur da Távola)
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Silêncio nas palavras


Pior do que a voz que cala é um silêncio que fala.

Simples, rápido! E quanta força!

Imediatamente me veio à cabeça situações em que o silêncio me disse verdades terríveis, pois você sabe, o silêncio não é dado a amenidades.

Um telefone mudo. Um e-mail que não chega. Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca. Silêncios que falam sobre desinteresse, esquecimento, recusas.

Quantas coisas são ditas na quietude, depois de uma discussão...

O perdão não vem, nem um beijo, nem uma gargalhada para acabar com o clima de tensão.

Só ele permanece imutável, o silêncio, a ante-sala do fim.

É mil vezes preferível uma voz que diga coisas que a gente não quer ouvir, pois ao menos as palavras que são ditas indicam uma tentativa de entendimento.

Cordas vocais em funcionamento articulam argumentos, expõem suas queixas, jogam limpo.

Já o silêncio arquiteta planos que não são compartilhados. Quando nada é dito, nada fica combinado...

Quantas vezes, numa discussão histérica, ouvimos um dos dois gritar:

- "Diz alguma coisa, mas não fica aí parado me olhando!"

É o silêncio de um, mandando más notícias para o desespero do outro.

É claro que há muitas situações em que o silêncio é bem-vindo. Para um cara que trabalha com uma britadeira na rua o silêncio é um bálsamo.

Para a professora de uma creche, o silêncio é um presente.

Para os seguranças de um show de rock, o silêncio é um sonho.

Mesmo no amor, quando a relação é sólida e madura, o silêncio a dois não incomoda, pois é o silêncio da paz.

O único silêncio que perturba é aquele que fala...

E fala alto.

É quando ninguém bate à nossa porta, não há emails na caixa de entrada, não há recados na secretária eletrônica e, mesmo assim, você entende a mensagem.

(Martha Medeiros)

Deixe De Ser Quem Era, E Se Transforme Em Quem É.




Sempre é preciso saber
quando uma etapa chega ao final.

Se insistirmos em permanecer nela
mais do que o tempo necessário,
perdemos a alegria
e o sentido
das outras etapas que precisamos viver.

Encerrando ciclos,
fechando portas,
terminando capítulos,
não importa o nome que damos.
O que importa é deixar no passado
os momentos da vida que já se acabaram.

Foi despedido do trabalho?
Terminou uma relação?
Deixou a casa dos pais?
Partiu para viver em outro país?
A amizade tão longamente cultivada
desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo
se perguntando por que isso aconteceu.
Pode dizer para si mesmo
que não dará mais um passo
enquanto não entender as razões
que levaram certas coisas,
que eram tão importantes e sólidas em sua vida,
serem subitamente transformadas em pó.

Mas tal atitude
será um desgaste imenso para todos:
seus pais, seu marido ou sua esposa,
seus amigos, seus filhos, sua irmã…
Todos estarão encerrando capítulos,
virando a folha,
seguindo adiante,
e todos sofrerão ao ver que você está parado.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo
no presente e no passado,
nem mesmo quando tentamos
entender as coisas que acontecem conosco.

O que passou não voltará:
não podemos ser eternamente meninos,
adolescentes tardios,
filhos que se sentem culpados
ou rancorosos com os pais,
amantes que revivem
noite e dia
uma ligação com quem já foi embora
e não tem a menor intenção de voltar.

As coisas passam
e o melhor que fazemos
é deixar que elas realmente possam ir embora.

Por isso é tão importante
(por mais doloroso que seja!)
destruir recordações,
mudar de casa,
dar muitas coisas para orfanatos,
vender ou doar os livros que tem.

Tudo neste mundo visível
é uma manifestação do mundo invisível,
do que está acontecendo em nosso coração
e o desfazer-se de certas lembranças
significa também abrir espaço
para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora.
Soltar.
Desprender-se.
Ninguém está jogando
nesta vida com cartas marcadas.
Portanto, às vezes ganhamos e às vezes perdemos.

Não espere que devolvam algo,
não espere que reconheçam seu esforço,
que descubram seu gênio,
que entendam seu amor.

Pare de ligar sua televisão emocional
e assistir sempre ao mesmo programa,
que mostra como você sofreu com determinada perda:
isso o estará apenas envenenando
e nada mais.

Não há nada mais perigoso
que rompimentos amorosos que não são aceitos,
promessas de emprego
que não têm data marcada para começar,
decisões que sempre são adiadas
em nome do “momento ideal”.

Antes de começar um capítulo novo
é preciso terminar o antigo:
diga a si mesmo que o que passou,
jamais voltará.

Lembre-se de que houve uma época
em que podia viver sem aquilo,
sem aquela pessoa…
Nada é insubstituível,
um hábito não é uma necessidade.

Pode parecer óbvio,
pode mesmo ser difícil,
mas é muito importante.

Encerrando ciclos.
Não por causa do orgulho,
por incapacidade, ou por soberba.
Mas porque simplesmente
aquilo já não se encaixa mais na sua vida.

Feche a porta,
mude o disco,
limpe a casa,
sacuda a poeira.

Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.

(Paulo Coelho)